A satisfação do torcedor não saciará, e o futebol brasileiro tende a melhorar como um todo

“O Flamengo está em um momento mágico”, “vivi para ver isso”, “sempre sonhei com esse momento”… Hoje utilizamos muitos jargões que descrevem o momento que vive o o Flamengo.

Outrora desconfiados, decepcionados e, quase sempre, humilhados, o sentimento agora é de que os tempos de glórias chegaram. Por qual motivo nos sentimos realizados? E essa sensação de que isso tudo já é o bastante, de onde vem?

Não podemos esquecer do que tivemos que passar, claro. Quem hoje vê Gabigol e Bruno Henrique brilhando teve que aceitar Gabriel “Chapa no canto” fazer dupla de ataque com Cirino.

Quem não lembra do Schweinsteiger do nordeste “voar” no meio campo com Márcio Araújo? Hoje Gerson e Arão dão a este setor um nível nunca visto nas últimas décadas no time.

Indo além nessas comparações, tivemos a dupla de xerifões César Martins e Wallace, provando que não tínhamos jogadores capazes de conquistar coisa alguma.

Temos que admitir que mesmo com os elencos muito abaixo que foram montados, tínhamos esperanças de triunfar e torcemos como sempre, só a paixão que nos move é capaz de explicar tamanha audácia.

Passar por tudo isso foi preciso, a austeridade administrativa cobrava esse preço, e que bom que foi assim. O ano de 2019 coroa um processo iniciado com a gestão Bandeira de Mello que, se não trouxe conquistas dentro de campo, fora dele abriu portas para o mercado e serve como exemplo para os demais clubes brasileiros.

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A reflexão que fica é que não pode ser um ano atípico, daqueles que só acontecem uma vez por década em algum clube. O flamengo tem que se perpetuar como o melhor do Brasil e estar sempre no topo das Américas, pois para isso que foi feito todo esse trabalho no decorrer dos anos.

Outras frases de efeito virão, a satisfação do torcedor não saciará e o futebol brasileiro tende a melhorar como um todo, até porque os outros clubes não vão querer estar em segundo plano todos os anos.

Essa sensação de que estamos satisfeitos não pode nos consumir, é algo que vem naturalmente, mas que, da mesma forma, nos deixará a partir do momento que virar rotina todas essas conquistas.

Rafa Albuquerque é pedagogo, cearense e pai da Rafaella. Twitter: @O_RafaelAlbuque

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