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Quanto mais se conhece um rio, menor é o seu encanto. O futebol é assim também; e a classificação diante do Emelec não é para ser analisada.

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Saindo do Maracanã, vai ser difícil dormir.

Há muito o que falar sobre Flamengo 2-0 Emelec, mas hoje minha análise será totalmente diferente.

Mark Twain tem um texto maravilhoso chamado “Two ways of seeing a river” (“duas formas de ver um rio”).

Ele narra sua experiência pilotando barcos no grande rio Mississippi e fala sobre um paradoxo sutil: quanto mais desvenda o rio, menos conseguia se encantar por ele.

“Agora que eu conhecia cada detalhe do grande rio com a mesma familiaridade com a qual conhecia as letras do alfabeto, havia ganho algo muito valioso. Mas perdi algo também. Perdi algo que nunca poderia recuperar. Toda a graça, beleza e poesia havia desaparecido do majestoso rio”.

Por que eu estou aqui filosofando?

O vermelho e o negro – Pequena grande história do Flamengo

Porque a gente precisa estudar futebol, analisar, desvendar, enxergar, esmiuçar… Mas a gente também precisa senti-lo. Se perdermos isso, nunca mais poderemos recuperar.

Esse jogo não foi um jogo para entender. Foi um jogo para sentir.

Eu senti um misto de esperança e apreensão subindo a rampa do Maracanã.

Senti confiança e foco na entrada do time em campo.

Senti a tranquilidade de quem navega pelos ventos certos nos dois gols do Gabriel.

Senti meu sangue gelar quando o Thuler perdeu aquele gol na minha frente.

Eu senti uma frustração gigante enquanto Berrío entrava para errar tudo em campo.

Senti uma agonia gigantesca quando o Emelec adiantou a marcação e começou a mandar no jogo.

Eu senti cansaço. O corpo se esvaindo de energia junto com onze caras que eu não conheço, mas que estavam nitidamente pregados e esgotados.

Blog do Téo: Para entender melhor sobre o modelo de jogo do Flamengo

Senti um nó na garganta enquanto o treinador tentava todas as alternativas táticas possíveis e imagináveis.

Senti um arrepio passar pelo corpo todo quando a torcida percebeu o momento do time e decidiu ser o décimo segundo jogador, cantando como se nossas vidas dependessem disso.

E quase não senti nada no apito final. Todos os sentidos estavam esgotados.

Eu senti o tempo parar, literalmente parar, na cobrança do Arrascaeta.

Senti um sopro de alívio quando Diego pegou o pênalti. Alívio mesmo. Não foi euforia.

No final de tudo, eu senti uma explosão dentro de mim, como um rojão entrando em combustão, uma força que me carregava pro ar, me fazia explodir. Uma energia que me levava a uma fusão completa com outras 70 mil almas.

Senti que eu já não era mais eu. Éramos nós.

AAHHHHHHHHHHH!!

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