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Além de um título sensacional, Heptacular apresenta um conteúdo importante porque não é uma retrospectiva do Fla no Brasileiro de 2019

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Ser Flamengo é, de alguma forma, viver sempre numa corda-bamba entre realidade e ficção.

O torcedor rubro-negro, talvez mais do que qualquer outro, constrói para si um universo coletivo que gira, de maneira inquestionável, ao redor do Flamengo.

Talvez quem melhor navegue neste universo hoje seja Arthur Muhlenberg, o @Urublog.

Há mais uma década, ele Arthur vem sendo o narrador de uma jornada épica que vai do delírio à sobriedade máxima mais rápido do que Bruno Henrique arrancando pela ponta.

Aliás, um narrador mais do que apropriado, que une um entendimento profundo do flamenguismo com uma capacidade única de fazer as palavras dançarem às suas ordens, criando imagens espetaculares que levam o leitor para dentro dessa aventura. Nick Hornby diz que “a vida real tem menos cor, é mais chata e tem potencial menor para um delírio inesperado” do que um jogo de futebol.

Os textos de Arthur são justamente um mapa que nos permite navegar nesse universo maravilhoso que é a mente do torcedor. Afinal, o jogo é muito interessante e complexo, merece nossos estudos e análises, e se torna mais interessante quando entendemos o que acontece dentro de campo.

Leia no MRN: Em “Libertador”, Arthur Muhlenberg vai da Crise ao Oba-Oba para contar como o torcedor do Flamengo reconquistou a América

Mas é impossível segregar o campo da arquibancada. O futebol chegou onde chegou porque é um fenômeno cultural inigualável. Arthur consegue ler e expressar como ninguém a alma flamenga que dá cor e brilho a cada passe, cada carrinho e cada gol.

É por isso que “Heptacular: o ano mágico rubro-negro”, seu sexto livro sobre o Flamengo, é tão fundamental.

“Para os rubro-negros ditos normais vestir nossas cores, abarrotar arquibancadas e empurrar o time para frente e para o alto sob qualquer condição nunca foi uma opção. É da nossa natureza, tudo impresso em nosso DNA.”

É assim que o livro começa. Além de um título sensacional, Heptacular apresenta um conteúdo importante porque não é uma retrospectiva. Os textos não foram escritos agora, no fim do ano, já sabendo como a história acaba.

Cada resenha contém as emoções e impressões vívidas do momento particular que narra. “Como toda derrota, foi muito ruim de se ver. Porque o Flamengo esteve reconhecível, um time cheio de talentos aparentemente sem nenhum esquema pensado para fazê-los jogar uns com os outros”, escreveu Arthur depois da derrota para o Inter em Porto Alegre. 

Em um mundo povoado por “engenheiros de obra pronta”, que têm explicação pra tudo depois que tudo já aconteceu, esse tipo de livro serve como documento histórico de valor inestimável. 

Por isso, corre na livraria ou no site da editora 7Letras e compra o seu exemplar. Vai valer a pena ler, reler e deixar guardado. Mas se prepare para toda a irreverência e a qualidade imaginativa de um autor que se joga de cabeça nas hipérboles que o Flamengo merece e não tem medo dos “inquisidores do Oba-Oba”.

Esse fim de ano merece um passeio profundo por essa mente Heptacular. 

PS: também estou lançando meu livro sobre o ano mágico. “Outro patamar: análises sobre o Flamengo de 2019 e as lições para o futebol brasileiro” está numa campanha de financiamento coletivo e deve sair em março.

https://benfeitoria.com/outropatamar

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