O documento é assinado por 14 coletivos de frentes femininas de diversos clubes brasileiros

As Mulambas da Gente, frente feminina do Flamengo da Gente, se uniu a outros 13 coletivos formados por torcedoras de diversos clubes para notificar o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) na última terça-feira (13), pedindo a anulação do registro de Robinho, pelo Santos. O jogador, condenado em primeira instância por violência sexual pela justiça da Itália, foi contratado pelo time paulista mesmo após a FIFA ter proibido o clube de contratar novos atletas em janelas de transferência, como punição por dívida milionária ao Huachipato e ao Atlético Nacional.

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Em entrevista ao Mundo Rubro-Negro, a porta-voz do Mulambas da Gente, Caroline Rocha, explicou que o documento objetiva apenas em contestar a contratação do jogador pelo Santos. “A nossa intenção não é um tribunal público. Não nos cabe o julgamento da ação do Robinho, mas sim debater o simbolismo e a conivência do futebol. Vale destacar que nossa ação no STJD não é sobre isso (a condenação), mas sim sobre toda a articulação para o registro do jogador acontecer”, disse.

Em nota publicada nesta quarta-feira (14), os 14 coletivos acusaram a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de criarem mecanismos para legitimar a contratação do atacante:

“O Santos Futebol Clube está condenado pela FIFA a não inscrever novos atletas a partir do dia 13/10. Para contornar a aplicação da pena, a FPF e a CBF criaram um plantão especial, permitindo o registro em pleno feriado (12/10). Ou seja, não bastasse a vergonha da contratação pelo Santos, a FPF e a CBF criaram um mecanismo para legitimá-la, se associando à vergonha original.”, diz o comunicado.

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A ação é assinada por: Mulambas – Flamengo da Gente, Anatorg , Somos Democracia, Força Feminina Colorada, INTERfeminista, Gurias do Couto, Movimento Feminino EmpoderAzul/CSA, Coletivo Democracia Corinthiana, LPTC- Loucas Por Ti Corinthians, Antifa Sport, O Povo do Clube, Movimento Popular Coral, Coral Pride (torcida LGBTQIA+ Santa Cruz), Movimento Alvinegras – Corinthians e VerDonnas.

Impasses judiciais e rejeição da torcida: entenda o caso Robinho

A polêmica envolvendo a contratação de Robinho vai desde a Itália à Vila Belmiro. Em 2017, o jogador foi condenado a 9 anos de prisão por violência sexual em um caso ocorrido em 2013. Na acusação, uma mulher alegou ter sido violentada por Robinho e mais outros cinco homens numa boate em Milão. A sentença do processo foi publicada em 1ª instância e ainda cabe mais duas instâncias para recurso da decisão.

Além da condenação, há também um outro impasse: o Santos enfrenta um acúmulo de punições da FIFA por dívidas não pagas com o Huachipato e Atlético Nacional, pelas contratações de Soteldo e Felipe Aguilar, respectivamente. Os valores somados chegam a cerca de R$ 24 milhões. Entre as punições, está a proibição imposta ao Santos em não poder contratar jogadores pelas próximas três janelas de transferência.

Nesta quarta-feira (14), um dos patrocinadores rompeu contrato com o Santos. A Orthopride tinha acerto até 2021 para exibir marca no uniforme do time, mas desfez o acordo. A empresa chegou a citar “respeito às mulheres”. O clube, após a divulgação do destrato, soltou nota defendendo a contratação:

“Com relação ao processo do atleta Robson de Souza, o Clube não pode entrar no mérito da acusação, pois o processo corre em segredo de Justiça na Itália e sobretudo o Santos FC orgulha-se de, em sua história, sempre respeitar as garantias fundamentais do ser humano, dentre as quais, a presunção da inocência e o respeito ao devido processo legal.”, dizia o comunicado enviado à imprensa.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação / Santos