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Nos últimos dias a coluna buscou entender com profissionais da área o comportamento diferente dos jogadores

Blog Ninho do Urubu | Bruno Guedes – Twitter: @eubrguedes

A maior diferença do Flamengo treinado por Jorge Jesus em relação aos demais times do Brasil, na temporada passada, foi a pressão sem a bola e a fome de gols com ela. Entretanto, nestes dois confrontos contra o Fluminense, a equipe teve uma queda considerável de rendimento nesses aspectos. A explicação, por maiores que sejam as teorias da conspiração, não é apenas psicológica. É também física.

O Flamengo tem como principal função tática a pressão sobre os adversários quando estes estão em seu campo defensivo ou com a posse. Para isso, além da concentração extrema durante os 90 minutos para que os jogadores saibam se orientar conforme cada um se move, o preparo físico é fator determinante para o sucesso. E aí começam os problemas nesta retomada do futebol no país. Após quase três meses parado, o corpo começou a sentir os efeitos da paralisação.

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Nos últimos dias a coluna buscou entender com profissionais da área o comportamento diferente dos jogadores. Ainda que corram, parecem menos agressivos, no bom sentido da palavra, que antes da parada e também de 2019. E todos nos afirmaram a mesma coisa: o Flamengo voltou tentando praticar o que fazia anteriormente, mas após algumas partidas com poucos dias de descanso entre elas, os atletas tiveram um desgaste maior que de uma pré-temporada.

Explica-se: ao contrário do começo do ano, quando as férias duram 30 dias, a quarentena obrigou jogadores a pararem por até 70 dias. Mais que o dobro do habitual. Mesmo com a tentativa de manter a forma em casa ou algum espaço adaptado, o corpo não realiza todos os movimentos e repetições de qualidade suficiente para o esporte de alto nível.

Ricardo Lopes, formado em Educação Física pela UFRJ e que já trabalhou como preparador físico de jogadores nos explicou: “Por mais que se treine em casa, não é a mesma intensidade ou disposição que no campo, por exemplo. A queda de qualidade do treino interfere. Eles voltaram e treinaram algumas semanas, mas sem os jogos, os 90 minutos, o desgaste foi maior por este motivo. O corpo não estava mais acostumado.”, afirmou.

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Outro ponto a ser destacado é o nível das partidas. Enquanto enfrentou três das equipes chamadas menores do Campeonato Carioca, que agridem menos o Flamengo e deixam a posse de bola com o Rubro- Negro, a parte psicológica entra em campo também. Por mais que os jogadores estejam acostumados com decisões, do outro lado está um rival e que, ao contrário de Bangu, Boavista e Volta Redonda, busca também o gol. Principalmente no domingo, o adversário fez boa partida e contribuiu para a apresentação abaixo do esperado do clube da Gávea.

Não por acaso Jorge Jesus fez quatro alterações para a final deste domingo. Em uma delas, Bruno Henrique, foi explicado exatamente que havia uma atenção à condição física. O Fluminense também foi alvo deste problema. Além dos desfalques de seus principais atletas, nas duas partidas o time no segundo tempo cansou de forma assustadora. E lembrando: com pouco mais de uma semana de retomada dos trabalhos.

Porém, ainda que estejamos falando de humanos e não máquinas, é inegável que a queda foi bem acima do normal. Um Flamengo irreconhecível. Podemos também colocar nesse balaio a questão acerca da ida ou não de Jesus para o Benfica. Um ambiente atípico e sem tanta tranquilidade como no ano passado. Junta-se, também, as polêmicas sobre as transmissões dos jogos, tirando o foco do campo.

A verdade é que as duas últimas apresentações do Rubro-Negro decepcionaram. Aquela equipe que encantou os flamenguistas e assombrou as Américas esteve ausente do Maracanã. E todos nós fomos mal acostumados. Esse é o problema…

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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