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Anunciado na tarde desta sexta-feira como novo jogador do Flamengo, o zagueiro Gustavo Henrique, ex-Santos, falou ao programa “Bola Na Veia”, da ESPN Brasil, sobre a mudança na carreira. Confira os principais trechos:

Disputa por posição

Independente do clube em que você estiver, você vai ter que dar o seu melhor para disputar posição. Vou respeitar muito meus companheiros. Vai ser uma disputa muito sadia. Qualquer clube que eu estivesse eu ia brigar por posição, até se eu renovasse com o Santos, vai ser uma disputa sadia e quem sai ganhando é o Flamengo, fortalecendo cada vez mais o seu elenco. Eu vou ser mais um que vou procurar fazer o meu melhor para ajudar o clube. Meu maior desafio é dar o meu melhor todo dia. Eu sou um cara que me cobra muito. Meu pensamento primeiro é no grupo, eu não tenho a vaidade de querer estar sempre jogando. É lógico que todo jogador quer jogar, e eu vou buscar meu espaço pra isso, mas vou respeitar muito o Rodrigo e o Marí, e outros zagueiros que tem lá também. Você dando o seu melhor no dia a dia as coisas podem acontecer, mas eu sou só mais um pra agregar e sempre dar o meu melhor.

Escolha pelo Flamengo

Um tempo atrás o Flamengo foi o primeiro clube que veio atrás de mim, assim que eu já pude assinar um pré-contrato. Eu na minha cabeça já tinha planejado sair do Santos. Eu precisava como ser humano me dedicar a outras coisas. Eu não respondia o presidente do Santos porque na minha cabeça já tinha mentalizado que eu queria sair, buscar outros desafios. Não foi questão de dinheiro, até porque o Santos também me ofereceu um bom salário. Meu desejo maior, como todo mundo sabe, como o Flamengo sabe também, era ir pra Europa. Mas como não chegou nada, eu optei pelo Flamengo, que foi o clube que me procurou há mais tempo e que mais me motivou no projeto novo. Tiveram outros clubes interessados, mas eu optei pelo Flamengo, foi uma escolha minha e estou muito feliz com isso. Era uma necessidade que eu tinha, procurar novos desafios para a minha carreira, e o Flamengo foi para mim a melhor opção, um grande clube e eu não podia deixar essa oportunidade passar. Sei que o Flamengo vai ter a pressão de ganhar mais títulos, pelo elenco que tem, e eu vou pro Flamengo querendo ganhar esses títulos. É um grande desafio, individual e coletivo, um leva o outro. Estou muito motivado para isso e espero que o Flamengo tenha um ano melhor ainda do que esteve esse ano.

Adaptação ao esquema do Flamengo

O Sampaoli me ajudou muito, foi muito importante pra mim, me ajudou muito na saída de bola, ele gostava muito de trabalhar isso. Realmente foi um ano muito bom para mim. O Sampaoli exigia muito que os zagueiros começassem seu estilo de jogo desde trás, com toque de bola, envolvendo o adversário e sempre com protagonismo. Isso é o que o Flamengo também busca e eu acho que este ano (2019) vai me ajudar muito para os próximos anos e eu espero que eu esteja pronto para fazer um grande ano. No Santos a gente já tinha isso também, a gente trabalhava muito a linha alta, porque o Sampaoli exigia isso, a pressão pós-perda da bola. Esse ano eu aprendi coisas que na minha caminhada eu não tinha aprendido. Lógico que tem riscos, mas o primeiro e o segundo colocado foram o Flamengo e o Santos, que jogam assim, que sempre querem a bola, querem estar pressionando o adversário. Quanto mais você tem a bola mais chance você tem de criar jogadas e fazer o gol, e menos chances o adversário tem. Então eu acho que os dois são muito parecidos.

Expectativa de trabalhar com Jorge Jesus

Estou muito feliz e motivado para isso (trabalhar com Jorge Jesus). É um grande treinador, provou neste ano, fez um grande trabalho. Eu aprendi muito com o Sampaoli, um cara muito exigente, que cobrava muito da gente, e pelo jeito o Jesus também é assim. E eu acho que isso é bom pro atleta. Eu espero realmente que eu possa contribuir, independentemente de estar jogando ou não, fora de campo ajudando meus companheiros e dentro de campo sempre dando meu melhor. Eu não conheço o trabalho do Jesus, mas pelo que eu venho acompanhando e venho conversando com ex-companheiros que eu tive aqui no Santos, é um grande treinador. Espero que ele possa dar oportunidade para todos e com certeza o Flamengo vai vir muito forte.

Data da apresentação ao Flamengo

Eu tenho contrato até o final de janeiro com o Santos. Se depender de mim eu vou cumprir. Eu sempre me dediquei muito a esse clube, e sempre vou ser grato, quero sair pela porta da frente. Foram 13 anos aqui, metade da minha vida foi dedicada a esse clube. Mas a gente já está conversando com o presidente para ver o que ele vai fazer, se ele vai me liberar ou não para participar da pré-temporada do Flamengo. Vou deixar na mão deles que sabem melhor do que eu nessa parte.

Polêmica com empresário

Primeiramente quando eu tive um mês que eu já podia assinar com outro clube, o Flamengo foi o primeiro clube que já me fez a proposta, que já me encaminhou, que foi através de outro empresário. Eu nunca tive, eu não tenho contrato assinado com o meu ex-empresário, meu ex-agente, então outras pessoas poderiam trazer também essa proposta. E no caso eu não poderia conversar com esse (outro) empresário porque eu ainda era jogador do Santos, eu ainda estava focado em brigar pelo título naquela ocasião. E eu falei que não queria conversar com o Flamengo ainda, e eu pedi para o meu pai acompanhar essa negociação, ir até o Rio de Janeiro escutar as propostas, escutar os valores, porque a gente não pode deixar um clube como o Flamengo de lado. É um clube gigante e a gente não pode deixar passar essa oportunidade. Enquanto isso eu fui conversando com ele, eu fui falando que meu desejo ainda era jogar na Europa, eu estava esperando a oportunidade, que chegasse alguma coisa, e não chegava nada. Eu fui adiando enquanto pude, mas falei pra ele: “eu preciso fechar com o Flamengo, os caras tão me pressionando, porque um clube como o Flamengo tem um planejamento de buscar outros jogadores se eu não aceitasse a proposta. Então eu fui dando datas para ele, e isso não aconteceu. Chegou a hora em que faltava um mês para acabar o meu contrato, e eu não podia trocar o certo pelo duvidoso, não podia trocar o Flamengo por algo que eu não tinha. Então eu acabei resolvendo isso. Meu pai não teve nada com isso, eu só pedi pra que ele acompanhasse as negociações. Acredito que ele (o empresário) acabou ficando chateado com isso, mas pelo respeito que eu tenho com ele, pelos 12 anos de trabalho, eu exigi do outro empresário que ele recebesse metade da comissão. Não foi ele que trouxe a proposta, mas eu queria que ele recebesse, por respeito. Talvez ele tenha falado isso, que eu ia ser titular no Palmeiras, no Corinthians, mas a gente sabe que em nenhum time a gente é titular absoluto, e nem no Flamengo também. O elenco é muito forte, é grande, eu vou ter que disputar posição, em qualquer outro clube eu também disputaria. Ele ficou chateado com isso, mas é vida que segue.

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